Reducing administrative burden in primary care: what Portugal’s new CAMP model can teach healthcare managers
Portugal has introduced a new organisational model intended to remove part of the medical and psychological certification workload from primary care. The development raises a wider European management question: how much scarce clinical capacity could be recovered by redesigning work that does not need to remain embedded in routine clinical services?
Portugal | 8 September 2026
Portugal published Portaria n.º 377/2026/1 on 25 August 2026, creating a framework for Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP) within Local Health Units of the National Health Service. The measure entered into force on 26 August 2026.
The official rationale is operational: medical and psychological certificates required for legal, social, fiscal and professional purposes have been absorbing substantial activity in primary care and limiting capacity for direct healthcare delivery.
Workforce shortages make task design strategic
Portugal’s response is not simply to ask primary-care professionals to work faster. It creates a separate organisational model for defined assessment activity.
The wider management question is “Which tasks genuinely require scarce professionals to remain embedded in routine clinical pathways, and which can be organised differently without reducing quality or accountability?”
How the CAMP model is structured
ULS initiative
A CAMP is created on the initiative of the relevant Local Health Unit rather than automatically by central government.
Viability study
The ULS must submit a prior study covering workforce, infrastructure, equipment, cost-benefit and financial sustainability.
Executive approval
Installation and operation require a favourable opinion from the Executive Director of the National Health Service.
Shared models
Where justified by resources, strategy or geography, one CAMP may temporarily serve several territorially contiguous ULS.
What activity can move into the new centres?
The centres are designed to perform medical, psychotechnical and technical assessments needed for certificates of physical and psychological fitness. The regulation identifies examples including driving licences, hunting licences, firearms licences, nautical activities and other legally defined purposes.
The CAMP must include physicians, psychologists and diagnostic and therapeutic technicians and must organise the specific appointments required to produce the relevant certificates.
- Measure opportunity cost: administrative-clinical work should be quantified in professional time and lost care capacity.
- Design the right workforce: centralisation creates an opportunity to match each task with the competency actually required.
- Test viability: new organisational structures should demonstrate operational and financial sustainability before implementation.
- Protect access: efficiency gains should not create new geographic or administrative barriers for citizens.
- Monitor outcomes: annual reporting and process monitoring should show whether the model actually releases capacity and improves consistency.
Why this matters beyond Portugal
European health systems face shortages across medicine, nursing and other professional groups. Much of the policy debate concentrates on increasing supply. But capacity can also be lost through poorly designed work.
Certification, duplicated documentation, unnecessary approvals and tasks that do not require the full competency of the professional performing them can all consume scarce clinical time.
A practical 90-day evaluation agenda
Days 1–30
Measure current burden
Quantify the number and type of assessments, professional time involved, waiting time and effect on ordinary clinical appointments.
Identify which tasks require medical judgement, psychological assessment or technical support and which are administrative.
Days 31–60
Design the alternative model
Estimate workforce, space, technology, geographic coverage and cost under a dedicated or shared-centre model.
Test whether access, quality, data protection and communication with public authorities remain robust.
Days 61–90
Define outcomes and governance
Set measures for released clinical capacity, waiting time, cost per assessment, user experience and quality.
Create a review process that can demonstrate whether the redesign improves the wider health system rather than merely shifting work.
From workforce shortage to workforce productivity
Workforce policy cannot focus only on how many professionals enter the system. Health systems also need to examine how professional time is used.
The Portuguese CAMP model is therefore worth following as a case of organisational redesign aimed at recovering scarce capacity rather than simply adding more staffing pressure to existing pathways.
Measure. Separate. Redesign. Monitor. Release capacity.
Protect scarce professional time for the work that needs it most.
Official resources
Reduzir a carga administrativa nos cuidados de saúde primários: o que o novo modelo CAMP pode ensinar aos gestores de saúde
Portugal introduziu um novo modelo organizacional destinado a retirar dos cuidados de saúde primários parte da carga associada à certificação médica e psicológica. Esta evolução coloca uma questão de gestão com relevância europeia: quanta capacidade clínica escassa poderá ser recuperada através da reorganização de atividades que não necessitam de permanecer integradas nos circuitos assistenciais de rotina?
Portugal | 8 de setembro de 2026
Portugal publicou a Portaria n.º 377/2026/1, de 25 de agosto de 2026, criando o enquadramento para os Centros de Avaliação Médica e Psicológica (CAMP) nas Unidades Locais de Saúde do Serviço Nacional de Saúde. A medida entrou em vigor em 26 de agosto de 2026.
A fundamentação oficial é operacional: os atestados médicos e psicológicos necessários para fins legais, sociais, fiscais e profissionais têm absorvido atividade significativa nos cuidados de saúde primários, limitando a capacidade disponível para a prestação direta de cuidados.
A escassez de profissionais torna estratégico o desenho das tarefas
A resposta portuguesa não consiste apenas em pedir aos profissionais dos cuidados de saúde primários que trabalhem mais depressa. Cria um modelo organizacional separado para uma atividade de avaliação claramente definida.
A questão de gestão mais ampla é: “Que tarefas exigem realmente que profissionais escassos permaneçam integrados nos circuitos clínicos habituais e quais podem ser organizadas de forma diferente sem reduzir a qualidade ou a responsabilidade profissional?”
Como está estruturado o modelo CAMP
Iniciativa da ULS
O CAMP é criado por iniciativa da respetiva Unidade Local de Saúde e não automaticamente pela administração central.
Estudo de viabilidade
A ULS deve apresentar um estudo prévio relativo a recursos humanos, infraestruturas, equipamentos, custo-benefício e sustentabilidade financeira.
Aprovação executiva
A instalação e funcionamento dependem de parecer favorável do Diretor Executivo do SNS.
Modelos partilhados
Quando os recursos, a estratégia ou a geografia o justifiquem, um CAMP pode temporariamente servir várias ULS territorialmente contíguas.
Que atividade pode transitar para os novos centros?
Os centros destinam-se a realizar avaliações médicas, psicotécnicas e técnicas necessárias à emissão de certificados de aptidão física e psicológica. A regulamentação identifica, entre outros, exemplos relacionados com cartas de condução, licenças de caça, licenças de uso e porte de arma, atividades náuticas e outras finalidades legalmente previstas.
Os CAMP devem integrar médicos, psicólogos e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.
- Medir o custo de oportunidade: o trabalho clínico-administrativo deve ser quantificado em tempo profissional e capacidade assistencial perdida.
- Desenhar a combinação adequada de profissionais: a centralização permite adequar cada tarefa à competência efetivamente necessária.
- Testar a viabilidade: novas estruturas devem demonstrar sustentabilidade operacional e financeira antes da implementação.
- Proteger o acesso: os ganhos de eficiência não devem criar novas barreiras geográficas ou administrativas.
- Monitorizar resultados: a avaliação deve demonstrar se o modelo liberta efetivamente capacidade e melhora a consistência.
Porque é relevante para além de Portugal
Os sistemas de saúde europeus enfrentam escassez de médicos, enfermeiros e outros profissionais. Grande parte do debate concentra-se no aumento da oferta, mas a capacidade também pode perder-se através de processos de trabalho mal desenhados.
Certificação, documentação duplicada, aprovações desnecessárias e tarefas que não requerem todas as competências do profissional que as executa podem consumir tempo clínico escasso.
Da escassez de profissionais à produtividade da workforce
A política de workforce não pode concentrar-se apenas no número de profissionais que entram no sistema. Os sistemas de saúde também precisam de analisar de que forma o tempo profissional é utilizado.
O modelo CAMP merece, por isso, ser acompanhado como um caso de redesenho organizacional orientado para recuperar capacidade escassa, em vez de simplesmente acrescentar mais pressão às estruturas existentes.
Medir. Separar. Redesenhar. Monitorizar. Libertar capacidade.
Proteger o tempo dos profissionais escassos para as atividades onde é mais necessário.
